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Um dia em Szentendre: a cidade dos artistas que faz jus à sua reputação

Um dia em Szentendre: a cidade dos artistas que faz jus à sua reputação

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Primeiro, a questão: vale a pena ir?

Szentendre tem um problema de imagem junto a certos tipos de viajantes: é encantadora, dirão, mas também é muito turística. É verdade. É também a crítica mais insignificante que se pode fazer a um lugar que, a quarenta minutos de uma capital com comboios suburbanos frequentes, conseguiu preservar uma paisagem urbana coerente do século XVIII, uma cena artística ativa, um património religioso ortodoxo sérvio e uma cultura vinícola que merece ser levada a sério.

Sim, a rua principal (Bogdányi utca) em junho tem turistas. Como em qualquer outro lugar que valha a pena visitar. A questão é saber se o que existe por baixo dos turistas vale a pena ver — e em Szentendre, vale.

Fomos num sábado de junho, que não é o timing ideal para evitar multidões — num dia de semana em maio ou setembro estaria mais tranquilo — mas correu bem. Apanhámos o comboio suburbano (HÉV) na estação de Batthyány tér, em Pest, às 9h15, o que nos colocou em Szentendre antes das 10h, cedo o suficiente para chegar antes da vaga do meio-dia. O HÉV custa aproximadamente o mesmo que um bilhete normal de transporte (o passe de transportes de Budapest cobre a viagem até Szentendre; caso contrário, compra-se um bilhete separado por cerca de 700 HUF).

A primeira hora: subir acima das multidões

A jogada estratégica em Szentendre é começar pelo alto. A Igreja de Blagovestenska, o Templomdomb (Colina da Igreja) com a sua igreja ortodoxa sérvia, e as ruelas que sobem desde a praça principal recompensam uma visita de manhã cedo, quando a luz entra em ângulo e a maioria dos excursionistas ainda está a chegar. Do alto avista-se o telhado de terracota da cidade e, para lá, o Danúbio — largo, cor de prata, completamente calmo a esta hora.

O legado sérvio de Szentendre — comunidades sérvias aqui se instalaram no século XVIII, fugindo à expansão otomana — confere à cidade o seu carácter distintivo. As igrejas ortodoxas são pequenas e ricamente decoradas por dentro, com iconóstases (as telas de ícones em madeira esculpida que separam a nave do santuário) em tons de ouro, vermelho e azul cobalto. A Igreja de Belgrado na Fő tér (praça principal) é a mais acessível: pequena taxa de entrada, interior fresco e sombrio, uma quantidade surpreendente de detalhes num espaço compacto.

Almoço num sítio que cozinha a sério

As opções de restauração em Szentendre vão desde as armadilhas turísticas óbvias (menus em inglês, esplanadas na praça principal, preços calibrados para excursionistas que podem não reparar) até cozinhas genuinamente boas. Almoçámos num restaurante a algumas ruas da artéria principal — o tipo de lugar que exige mesmo procurar, em vez de aparecer diretamente à nossa frente — onde o menu estava em húngaro com traduções aproximadas em inglês e o gulyás era feito de raiz, não a partir de um preparado.

Os preços em Szentendre são genericamente semelhantes aos dos restaurantes de gama média de Budapest: 4.000–7.000 HUF por prato principal (€10–17), com vinhos locais a copo por volta de 1.200–1.800 HUF. Mais barato do que um restaurante para turistas no centro de Budapest, e melhor do que muitas das opções visíveis na praça principal.

A tarde: adega e a margem do rio

Depois do almoço fomos a uma prova de vinhos numa adega com 100 anos, que acabou por ser o ponto alto do dia. A adega em questão está escavada na encosta, fresca e ligeiramente húmida, com aquela atmosfera de um espaço que fermenta coisas desde antes de nascer qualquer um dos presentes. Os vinhos são da região do Bend do Danúbio — não as grandes regiões vinícolas da Hungria, que ficam mais a norte (Tokaj) ou a sudoeste (Badacsony, Balaton), mas vinhos locais com um terroir específico e, nesta adega, uma história própria.

Provámos seis ou sete vinhos ao longo de uma hora. Ninguém nos apressou. A explicação sobre a proveniência de cada vinho foi feita em excelente inglês, e depois em francês quando se percebeu que dois membros do grupo eram parisienses, o que nos impressionou. Os vinhos iam de brancos leves e ligeiramente minerais até um tinto encorpado e tânico que o escanção descreveu como “um vinho para noites frias” — o que claramente não era, dado que era uma quente tarde de junho — e que bebemos com grande satisfação.

Para os visitantes interessados no vinho húngaro para além desta adega — o guia de vinho húngaro abrange as principais regiões e estilos, e o guia da região vinícola de Tokaj é a referência para o vinho mais famoso da Hungria.

O Museu do Marzipã: meia hora bem passada

Szentendre tem um Museu do Marzipã, que soa a piada mas funciona como um museu legítimo com loja no centro da cidade. A coleção — figuras em tamanho real de personalidades históricas húngaras reproduzidas em marzipã, com considerável habilidade — é absurda e maravilhosa em partes iguais. Michael Jackson está lá. A coroa real húngara também, reproduzida em açúcar. A loja vende objetos de marzipã tão bons quanto um artigo de loja de museu pode ser.

Ficámos cerca de vinte minutos. Comprámos uma pequena caixa de marzipã. Comemo-la a caminho da estação sem qualquer arrependimento.

O que uma visita guiada acrescenta

A versão autoguiada de Szentendre — comboio suburbano de ida e volta, almoço, adega, algumas igrejas — é a abordagem que recomendamos à maioria dos visitantes que se sentem à vontade a navegar de forma independente. Mas uma visita guiada a partir de Budapest tem vantagens específicas: um guia que sabe qual das igrejas sérvias tem o melhor iconóstase, que restaurante não tenta cobrar a mais aos turistas, e qual é a história por trás dos edifícios que se percorrem.

O guia da excursão a Szentendre cobre ambas as opções — autoguiada e guiada — em detalhe. O guia de excursão ao Bend do Danúbio é a referência mais abrangente para quem está a considerar estender o dia até Visegrád ou Esztergom.

A tarde à beira-rio

Depois da adega descemos até ao cais do Danúbio, o segredo mais tranquilo e bem guardado de Szentendre. A praça principal e a Colina da Igreja ficam com os visitantes; o cais, que corre ao longo da margem a cinco minutos a pé do centro de mercado, tem um carácter diferente. Salgueiros, bancos, alguns barcos amarrados num pequeno cais e o próprio Danúbio — largo aqui, a deslizar lentamente no calor de junho, a margem oposta uma linha de árvores e campo. O ruído da cidade foi esmorecendo atrás de nós.

Ficámos ali cerca de quarenta minutos, o tipo de decisão sobre o uso do tempo que torna uma excursão completa em vez de apressada. As noites de junho em Szentendre prolongam-se bem depois do anoitecer; tínhamos até às 17h30 antes de precisar apanhar o HÉV de regresso, e passar parte desse tempo a olhar para o rio em vez de entrar em mais uma igreja pareceu a escolha certa.

O acesso ao cais é gratuito, os bancos estão à sombra de árvores antigas, e a vista a montante para o Bend do Danúbio — onde o rio curva para oeste antes de endireitar novamente em direção a Budapest — tem uma qualidade de abertura que as ruelas estreitas do centro da cidade não têm. Se o dia estiver quente e se vier com pessoas que apreciam sentar quietas de vez em quando, o cais merece ser incluído na tarde.

O que levar e o que esperar

Os visitantes pela primeira vez a Szentendre chegam por vezes com expectativas moldadas por fotografias do mercado e das igrejas, e encontram uma realidade simultaneamente mais encantadora e mais complexa do que esperavam. Algumas notas práticas:

Dinheiro: a maioria das bancas e dos restaurantes mais pequenos em Szentendre prefere dinheiro. Leve HUF — forints, não euros (a Hungria não faz parte da zona euro). O multibanco na praça principal funciona e cobra taxas razoáveis. A adega aceitou cartão sem problemas; a loja de marzipã era só dinheiro.

Timing: junho é ideal para a exuberância e as noites longas. Maio é melhor para evitar o pico de multidões. Setembro é o melhor compromisso — o verão terminou mas o tempo ainda é quente, a luz é excelente e a densidade turística é visivelmente menor. Dezembro também vale a pena considerar: Szentendre organiza o seu próprio pequeno mercado de Natal e a cidade tem um carácter invernal específico sob as árvores despidas.

Calçado confortável: as pedras da Colina da Igreja e da área da praça principal são irregulares. Calçado adequado não é opcional.

Fotografia: a cidade toda é extraordinariamente fotogénica, particularmente com a luz da manhã. As igrejas sérvias ficam melhor fotografadas de baixo, ao nível do chão; a vista sobre o Danúbio a partir da Colina da Igreja fica melhor ao final da tarde, quando a luz vem de trás.

Como se insere no Bend do Danúbio mais alargado

O Bend do Danúbio como região — Szentendre, Visegrád, Esztergom — é um dos troços mais panorâmicos do Danúbio médio. As três cidades complementam-se: Szentendre é o centro cultural e artístico; Visegrád é a fortaleza medieval erguida sobre a curva do rio; Esztergom é a capital religiosa da Hungria, dominada pela enorme basílica visível a quilómetros de distância.

Um dia inteiro a visitar as três é possível numa visita organizada — o tour de dia completo ao Bend do Danúbio cobre esta combinação com transporte e guia. Uma abordagem mais confortável é dedicar um dia a Szentendre (de HÉV, de forma independente) e um dia separado a Visegrád ou Esztergom (de autocarro ou numa visita guiada a partir de Budapest). A versão de dois dias do Bend do Danúbio dá a cada cidade o tempo adequado; a versão de um dia fica sempre ligeiramente apressada.

O regresso e o que concluímos

Apanhámos o HÉV de regresso às 17h30, chegando a Budapest a tempo de um jantar tardio. A viagem é exatamente tão confortável e barata no sentido de volta como no de ida — um lugar à janela, terrenos agrícolas e subúrbios exteriores de Budapest a passar, a canseira satisfatória de um dia bem organizado.

Szentendre merece um dia. Não necessariamente um dia longo — pode ver tudo o que precisa em cinco a seis horas — mas um dia completo, a chegar cedo e a partir ao anoitecer, garante-lhe um almoço, uma adega, uma boa visita às igrejas, uma tarde no cais, e o prazer específico de uma cidade que é turística por razões genuínas e não fabricadas.

O legado sérvio é genuíno. A cultura vinícola é genuína. A arquitetura — esses telhados de terracota, as cúpulas ortodoxas, as igrejas barrocas católicas ao lado — é genuinamente do século XVIII e merece atenção. Os turistas estão lá porque o lugar é mesmo assim, e Szentendre gere bem essa contradição, de forma que as duas coisas coexistem sem se anularem mutuamente.

O guia das melhores excursões a partir de Budapest classifica Szentendre a par das cidades do Bend do Danúbio, Eger e Tokaj como as melhores opções para um dia fora da cidade. Para um visitante de primeira vez a Budapest que tenha três ou quatro dias, um dia em Szentendre é quase obrigatório.